O papel de UX na Gestão de Produtos
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O papel de UX na Gestão de Produtos

Se fosse para resumir, diríamos que o papel das pessoas que trabalham com  UX é garantir a melhor experiência possível para os usuários de um produto ou serviço. Até aí, tudo bem. Mas, como o User Experience se relaciona, de fato, com a gestão de produtos? 

Bom, a experiência é tudo aquilo que envolve a interação do usuário com uma interface. Mas, quando falamos de marcas, produtos ou serviços, é importante lembrar que UX não envolve apenas o design e o desenvolvimento. Uma série de outros quesitos como o relacionamento com cliente e o pós-consumo também devem ser analisados.

De acordo com a nossa UX Expert, Júlia Korte, o UX é “responsável por entender a fundo os stakeholders e ser um embaixador do usuário em todas as discussões de produtos. Quando pensamos na gestão de produtos, o ideal é que, como designers de experiências, a gente  participe ativamente das discussões sobre aquilo que estamos tentando resolver, para assim encontrar a melhor solução possível, do ponto de vista de um produto ou serviço. Lembrando que precisa existir um equilíbrio entre o que é desejável com o que é possível”.

Mas é claro que, quando falamos em gestão de produtos, o papel do UX é mutável e vai depender do tipo de solução e da maturidade de cada projeto.

Dessa forma, é importante ter uma visão clara e estratégica de negócios para gerenciar essa iniciativa.

Em essência, os profissionais que trabalham com UX devem criar a experiência e acompanhá-la ao longo de todo o ciclo do produto. Isso inclui desde a parte de pesquisas até o protótipo (se valendo de ferramentas como a jornada do consumidor e o mapa de empatia). “A gestão de produtos deve, primeiramente, garantir a qualidade, o êxito e a colaboração entre os times, desde a definição do por que até o como”, sintetiza Júlia.

 

A diferença entre foco na estética e foco no usuário

Muitas vezes, apesar de possuir um aspecto “bonito” ou esteticamente agradável, a interface do produto não demonstra claramente quais ações podemos fazer ali. Por isso, é sempre recomendável que exista um equilíbrio entre a usabilidade e o design da interface.

“O design, como diz o clichê entre os profissionais, deve ser sempre intencional. Ou seja, quando estamos criando uma experiência em um serviço ou produto, a interface deve ser uma consequência do seu objetivo de negócio, do propósito e das personas. A não ser, é claro, que a intenção principal do produto seja puramente estética”, explica Júlia. 

Por isso, o UX e a gestão de produtos são ainda mais importantes neste cenário globalizado, no qual os dispositivos móveis são, frequentemente, usados como os dispositivos primários. Exigindo que as plataformas digitais sejam responsivas e se adequem as diferentes telas. 

De acordo com um estudo feito para a Episerver, por exemplo, 42% dos entrevistados afirmaram ter desistido de uma compra porque era difícil navegar no site. Os motivos aqui são muitos: pesquisa interna inadequada, navegação ilógica, menu ineficiente, pouca ou nenhuma opção de filtragem, além de é claro, interfaces não responsivas.

 

Fonte da imagem UX versus Design

Como os profissionais de UX influenciam na criação ou reestruturação de produtos?

Foi-se o tempo em que os projetos poderiam demorar anos e anos para saírem do papel. Hoje, a agilidade é essencial para as empresas que querem se manter competitivas e atuantes no mercado. Nesse sentido, as pessoas que trabalham com UX são essenciais para auxiliar na criação ou na reestruturação de produtos realmente relevantes.

Como já falamos por aqui, os profissionais de UX são os responsáveis por aplicar diferentes metodologias como questionários, entrevistas de profundidade, criação de personas, mapa de empatia e testes de usabilidade para entender assim o público-alvo de cada projeto, além de levantarem diferentes hipóteses e, é claro, validá-las. 

“Ao menos na Orbia, nós trabalhamos muito colaborativamente e próximos ao time de Produtos. Junto aos POs e ao time de Negócios, procuramos, por exemplo, nos envolver nas discussões desde o início de uma ideia, além de atuar na concepção, na solução e na prototipação. Aqui, há muito espaço para fazermos pesquisas e testes, o que, posteriormente, reflete também em iniciativas de melhorias para a reestruturação dos produtos. Nós sempre procuramos fazer isso tudo de forma multidisciplinar, pois queremos disseminar a cultura de UX e fazer com que todos sejam “embaixadores” da usabilidade também”, garante Júlia.

Gestão de produtos e teste de usabilidade: qual a relação?

Os testes de usabilidade são fundamentais para a gestão de produtos. Muitas ideias nascem de suposições ou abstrações do que nós acreditamos ser a melhor forma de conduzir uma solução. Mas, apenas quando conversamos com os stakeholders daquele projeto é que conhecemos, de fato, a melhor forma de moldar um produto.

Portanto, é importante sempre validar as nossas suposições.

A pandemia, por exemplo, mudou muito a forma com que as pessoas se relacionam com serviços e produtos digitais. O que era adequado ontem, talvez não seja mais hoje. Além disso, é preciso refletir e ter clareza de quem e o quê estamos esperando atender com uma solução. Podemos, em um primeiro momento, até optar por uma mensagem mas, em um teste de usabilidade, ter novos insights ou ver que aquilo não se aplica mais. Deste modo, devemos usar esse conhecimento a favor da construção de roadmap”, finaliza Júlia. 

Por fim, quando o termo User Experience surgiu pela primeira no inícios dos anos 90, cunhado por Don Norman, pouco se falava de entregar produtos alinhados às expectativas dos usuários. Não havia tempo, recurso e nem interesse nas dores da persona. 

Hoje, no entanto, conseguimos perceber uma mudança no comportamento do consumidor, influenciada sobretudo pela transformação digital, o que apenas reforça a importância do UX em uma gestão de produtos com design centrado no ser humano. Afinal de contas, só assim será possível entregar produtos relevantes, sustentáveis e coerentes.

 

 

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