Teste de usabilidade remoto: quais os principais desafios?
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Teste de usabilidade remoto: quais os principais desafios?

Antes de falarmos de teste de usabilidade remoto, temos que falar primeiramente sobre empatia. Aliás, essa é uma palavra que deveria estar no vocabulário de qualquer designer,final, esse profissional cria soluções pensando nos outros e não apenas em si mesmo. 

No entanto, no dia a dia do trabalho, não é difícil cair na tentação de tomar decisões baseadas em insights ou percepções próprias. Mas como confirmar se essas suposições são verdadeiras se não temos outras pessoas para validá-las? aqui que entra o teste de usabilidade, já que a informação só se torna conhecimento se você consegue aplicá-la. Mas, antes de realizar essa aplicação, algumas barreiras como o custo, o tempo e as diferenças de realidade devem ser superadas. 

Na Orbia, por exemplo, desenvolvemos soluções para as pessoas que estão no campo e que, muitas vezes, vivem realidades totalmente diferentes das que temos na cidade.  Diante disso, é muito difícil lançar um produto sem antes testá-lo.Para entendermos melhor este cenário, conversamos com nosso Product Designer Gabriel Balista, responsável por conduzir e qualificar esses testes de maneira remota.

O que é o teste de usabilidade remoto?

Realizado à distância, o teste de usabilidade remoto é uma forma de verificar as funcionalidades de sites, aplicativos, softwares e outras ferramentas digitais. Por meio dele, usuários reais podem executar determinadas tarefas, ajudando os desenvolvedores a analisarem a usabilidade e acessibilidade de um produto, bem como propor melhorias.Assim, de forma remota, são recolhidos insights sobre comportamentos, interações e reações dos usuários diante dos diferentes layouts e funcionalidades.

A ideia é que a gente, em um primeiro momento, não perca muito tempo fazendo um protótipo super navegável porque, provavelmente, teremos que refazê-lo, já que nem sempre ele corresponde ao mapa mental do usuário”, explica Gabriel.

Temos, inclusive, uma situação real que pode exemplificar isso: ao desenvolver um marketplace para agricultores, criamos uma sessão para vender apenas fungicidas (produtos usados para tratar fungos). Mas, na hora de desenvolver o layout dessa plataforma, associamos – automaticamente – os fungicidas aos cogumelos e colocamos esse item para ser o ícone da área. No entanto, durante um teste de usabilidade remoto um dos agricultores questionou o porquê de estarmos usando um cogumelo como ícone. 

Explicamos o insight e o produtor respondeu: “engraçado, porque este fungicida aqui não combate o cogumelo. Ele, na verdade, combate uma manchinha que dá soja”. Isto é um grande exemplo de mapa mental porque, pelo menos, para aquele usuário o fungo não remetia – imediatamente – a um cogumelo e sim a uma mancha.

Portanto, existem várias coisas que precisam ser validadas quando realizamos um teste de usabilidade remoto. Como, por exemplo, se o produto condiz com o mapa mental do usuário ou se o caminho que ele utiliza para acessar um conteúdo realmente faz sentido. Só assim conseguiremos entregar, de fato, valor e qualidade aos nossos clientes.

Além disso, o processo do teste de usabilidade remoto é muito mais para fazer validações com os usuários do que, efetivamente, para apresentar um layout pronto e fiel a marca.

E quais os principais desafios? 

Para o Gabriel Balista existem dois problemas muito perceptíveis na realização de testes remotos. O primeiro é conseguir estabelecer conexão e empatia com os usuários, já que estamos conversando com eles à distância e, nem sempre, existe uma facilidade de se utilizar os meios e as ferramentas digitais. 

“Nosso público-alvo está muito acostumado a manter relações humanas, seja para comprar insumos ou para vender seus grãos. Quando você se aproxima deles de forma remota, por Skype, WhatsApp ou e-mail, exsitem algumas barreiras por conta da distância, ainda que possuam pré-disposição para realizar os testes de usabilidade e, inclusive, gostem de experimentar novas ferramentas”, afirma.

Para resolver o problema imposto pela falta de contato físico é preciso, portanto, contar com equipamentos. Através de uma webcam, por exemplo, você pode se atentar as expressões que seus participantes terão durante o teste. Também é bem importante conduzir essa conversa, instigando e fazendo questionamentos para os usuários. 

Por outro lado, o segundo grande problema desse tipo de teste são as limitações técnicas que podem ser tanto por falta de equipamentos ou de uma boa conexão com a internet, quanta a falta de conhecimentos nas ferramentas utilizadas. Além disso, nem sempre é fácil encaixar um teste usabilidade remoto na rotina de alguém. 

Pelo contrário, o recrutamento de usuários é um processo cansativo que envolve envios de e-mail, mensagens e ligações. É possível que, dependendo do perfil dos usuários, você escute um não ou outro. Seja por falta de tempo, conhecimento ou interesse.

Vantagens do teste de usabilidade remoto:

  • É possível conduzir os testes mesmo no home office; 
  • O custo é menor, pois o entrevistado não precisa se locomover; 
  • O participante continua no seu ambiente natural; 
  • Menos burocracia;
  • É possível realizar vários testes em único dia. 

 

Como conduzir um teste remoto?

Isso varia de empresa para empresa. Por aqui, antes de fazermos o teste de usabilidade remoto, criamos uma documentação com tudo que queremos validar. Desde conteúdos, até setas e botões que queremos testar. Também criamos um roteiro que não precisa, necessariamente, ser seguido à risca, mas que conduzirá a conversa.

Depois disso, enviamos um email para os participantes, explicando o procedimento e solicitando a autorização do uso de som e imagem, esclarecendo que o teste será gravado e usado somente no ambiente corporativo, como uma forma de documentação. 

“Apresentamos o produto que eles irão testar, dizemos que eles não estão sendo avaliados, que não existe certo ou errado e que eles podem ser honestos em suas percepções. Também pedimos que eles narrem suas interações em voz alta. E se, durante o teste, eles seguem um caminho diferente do que imaginamos, a gente pergunta, de forma muito sutil, o porquê disso, tentando não condicionar suas respostas. Fazemos o mesmo se eles ficarem nervosos, animados ou confusos, para entender o que motivou aquele sentimento’“, garante Gabriel.

Claro que cada teste de usabilidade remoto tem suas particularidades, isso vai muito do produto e do usuário que você está testando.

Mas sempre colocamos dois observadores que não aparecem e nem interagem, ficando responsáveis apenas por anotar as reações e expressões corporais dos participantes que, posteriormente, serão documentadas.

Por fim, vale ressaltar que não adianta fazer um único teste de usabilidade remoto e já partir para a entrega final.

É preciso testar novamente para garantir que o problema realmente foi resolvido.

Só assim será possível compreender a evolução do produto.

A verdade é que não existe uma fórmula pronta, nossa sugestão, portanto, é que você experimente vários caminhos até encontrar um método que funcione no seu contexto.

E que tal começar essa busca lendo sobre o mapa de empatia? Uma ferramenta essencial para que você consiga se colocar no lugar do seu usuário e entender a sua persona.

 

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