Economia comportamental: o que um designer pode aprender com isso?
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Economia comportamental: o que um designer pode aprender com isso?

Para aqueles que não sabem, a economia comportamental se encontra em uma linha tênue entre a Psicologia e a Economia, mostrando como as manifestações emocionais, cognitivas e sociais influenciam o comportamento humano.Isso porque as pessoas tomam decisões o tempo todo. Aliás, segundo um estudo norte-americano, nós tomamos cerca de 35.000 decisões em um único dia -ou seja, a cada dois segundos nós fazemos uma escolha, que inclui coisas como a roupa que iremos vestir, o que iremos comer, qual filme assistir, quais atividades priorizar, etc. 

Nesse sentido, a economia comportamental influencia diretamente no nosso processo de decisão. Já que o nosso cérebro possui duas formas de pensar uma rápida (que é chamada de sistema 01) e uma um pouco mais lenta (chamada de sistema 02).

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(Fonte: Livro Rápido e Devagar — Daniel Kahneman)

Mas você já parou pensar que, como designer, você também influencia na tomada de decisões das pessoas? As decisões diárias podem ser simples, complexas, automáticas ou refletidas, mas muitas delas, envolvem diretamentes os produtos, serviços, aplicativos e ferramentas desenvolvidas pelos designers.  

Economia comportamental e design: qual é a relação?

Imagine que, nessas férias, você irá conhecer outro país. Dentre todas as decisões que você precisa tomar, uma das mais importantes é a acomodação. E na hora de escolher onde ficar, você irá considerar muitos aspectos. Por exemplo, se o lugar é perto das atrações turísticas, do metrô, de restaurantes, se serve café da manhã, o tipo de acomodação, o preço, o custo-benefício e as opiniões de outros usuários.

Neste caso específico, as decisões são ponderadas e bem refletidas. Mas, no dia  a dia, nem todas as considerações são tão racionais assim. Muitas vezes, compramos um produto ou baixamos aplicativo porque gostamos da sua interface, entre outros. E é aqui entra o trabalho dos designers, product managers, UX writers e UX researchers.

Mais do que auxiliar, esses profissionais influenciam diretamente nas tomadas de decisões, seja através do uso de imagens e ícones, de um layout otimizado ou de site responsivo.

Por isso, quando falamos de economia comportamental, estamos falando também, ainda que indiretamente, de design centrado no ser humano. Uma modalidade do design que coloca as necessidades, comportamentos e limitações humanas em primeiro lugar. 

Ou como diria Don Norman (autor de diversos trabalhos voltados para o design de usabilidade) “as coisas são projetadas para serem usadas por pessoas e, sem um entendimento profundo da mente humana, o design tende a ser defeituoso, difícil de usar e difícil de entender”. Dessa  forma, compreender os mecanismos do cérebro humano é fundamental para prevenir os erros e projetar as melhorias.

E o que os designers aprendem com isso?

Conhecer os mecanismos do cérebro e o funcionamento dos sistema de decisões ajuda – e muito! – na hora de construir uma interface mais adequada, empática e acessível. Aliás, é através disso que criamos produtos mais qualitativos e valorativos que ajudam os usuários a realizarem diferentes tarefas de maneira simplificada, organizada e eficiente. 

E é justamente a economia comportamental que oferece os melhores caminhos. Ela pode te ajudar a entender, por exemplo, porque o usuário fala uma coisa e faz outra.

Além disso, o uso da economia comportamental ajuda os designers a compreenderem, entre outras coisas, como os indivíduos tomam suas decisões com base em sentimentos e emoções e porquê precisam satisfazer suas necessidades rapidamente. 

Em um cenário carregado de informações que precisam ser processadas, absorvidas e compreendidas em tempo recorde, entender e saber como usar o comportamento do usuário ao seu favor é um diferencial e tanto para o mercado.  

Aliás, a Harvard Business Review comandou uma pesquisa que mostra que as empresas estão investindo, cada vez mais, em designers comportamentais que possam, de fato, compreender e auxiliar as os usuários a tomarem as melhores decisões.

E você, quer ser um designer que facilita ou complica as escolhas dos usuários? Que tal pensar na economia comportamental quando for criar a sua próxima solução?

Para saber mais sobre esse tema, indicamos essas leituras:

 

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